LIVRO DE APOCALIPSE CAPITULO XXII



Capítulo XXII

1. “E MOSTROU-ME o rio da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro”.

1. “...o rio puro da água da vida”. Esse rio puro que segundo se diz, é (“o rio da água da vida”) não deve ser identificado como sendo o mesmo descrito por Ezequiel (47. 1-12), por vários motivos:

1. O descrito por Ezequiel tem o seu leito na terra; o do texto em foco tem seu leito no céu; o de Ezequiel, que também é descrito por Zacarias (14. 1-8), terá sua nascente “...debaixo do umbral da casa” (o templo). Ez 47. 1; o desta secção, porém, no “trono de Deus e do Cordeiro”. O primeiro será visto durante o Milênio, o segundo, já na eternidade. Durante o Milênio, a terra será enriquecida com “o rio milenial”. O leito deste rio será criado no momento em que Jesus tocar com seus pés sobre o monte das Oliveiras (Zc 14. 4). Sua foz será debaixo da casa do Senhor, especialmente do seu lado direito.


2. A semelhança do Jardim do Éden, em que seu rio era dividido em “...quatro braços” (Gn 2. 10); Esse rio porém, será dividido em dois (Zc 14. 4, 8). Esses dois canais seguirão direções diferentes:

(a) O primeiro, em direção ao mar Oriental (mar Morto) formando um- vale nas montanhas de Judá (Zc 1-4. 5), e ampliando as fontes de En-Gedi (fonte do cabrito) e En-Eglaim (fonte dos bezerros), que encrava-se entre Hebrom e o mar Morto (Js 15. 62; Ez 47. 10), chegando até Asel na parte oriental do território de Judá (Zc 14. 5) conforme se depreende dos textos e contextos demonstrativos:

(b) O segundo canal, seguirá em direção do mar Ocidental (mar Mediterrâneo), numa extensão ,de 8O quilômetros aproximadamente (Zc 14. 8). Tudo isso nos faz lembrar o Jardim do Eden que possuía rios que fluíam, fertilizando suas terras, de tal modo, que a vida ali era tranqüila e calma. Assim também agora a Jerusalém terá sua água da vida, e a vida eterna florescerá ali, além de qualquer imaginação humana.

2. “No meio da sua praça, e de uma e da outra banda do rio, estava a árvore da vida que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês; e as folhas da árvore são para a saúde das nações”.

1. “...no meio da sua praça”. Durante o período sombrio da Grande Tribulação, as duas testemunhas escatológicas foram mortas (“na praça da grande cidade que espiritualmente se chama Sodoma e Egito...”), agora, entretanto, elas estão desfrutando das venturas eternas na (“praça principal”) da cidade do Senhor. Em algumas traduções modernas, podemos ler em lugar de. “praça” (singular), “ruas” (plural). O grego, nesta passagem, singulariza a palavra, esse deve ser o sentido original. A “praça” significa realmente a (“Avenida Principal”), ou (“Eixo da Cidade”). Evidentemente este lugar se identificará como sendo o “centro” da Capital Celestial.

1. A árvore da vida. Durante o Milênio, à margem daquele rio, descrito por Ezequiel e Zacarias, havia “...toda sorte de árvore que dá fruto para se comer” (Ez 47. 12), mas, evidentemente não era a “árvore da vida”, mas apenas uma (“figura”) daquela (Hb 8. 5; 9. 23). Aqui, nesta secção, aparece a “árvore da vida” dando também seus frutos de mês em mês, indicando que ali haverá (“uma espécie de santa ceia divina”) para lembrar permanentemente a morte de nosso Senhor Jesus Cristo. Suas folhas são (“foi”) para a saúde das nações, pois não haverá doença no estado eterno! O significado do pensamento, deve ser analisado em sentido antropomórfico para ser entendido pela mente natural. Assim, as folhas podem simbolizar a cura dos sofrimentos passados. A árvore do conhecimento do Bem e do Mal não aparece mais aqui: com a morte de Cristo, ela secou-se na cruz.

3. “E ali nunca mais haverá maldição contra alguém; e nela estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão”.

1. “...nunca mais haverá maldição”. Segundo os estudiosos, o termo grego usual para “maldição” é “anathema” (1 Co 16. 22; Gl l. 8). O vocábulo aqui empregado significa, segundo se depreende qualquer “coisa maldita”;..qualquer coisa digna de desaprovação ou juízo divino. A “maldição” vista na presente passagem cai sobre aqueles que não amam ao Senhor Jesus Cristo, mas na era eterna não existirá desamor (cf. 1 Co 16. 22).

A maldição imposta sobre nossos pais (Adão e Eva) no Éden afetou a terra inteira, por causa do pecado; mas, agora, será totalmente banida. O pecado em sentido lato quando é citado no singular, define-se como aquele ato de rebeldia que produz a morte, tanto em seu aspecto físico como em seu aspecto espiritual (Gn 4. 8); exemplifica a primeira parte (1 Jo 3. 15); exemplifica a segunda. O pecado assim é então personificado como (“o grande tirano”), que impõe tristeza, desespero, maldição e morte, colocando a criatura numa região tenebrosa, onde ela permanece triste e inativa (Mt 4. 16; Ef 5. 14). Mas na cidade celeste à perfeição será absoluta, a qual, naturalmente, não pode admitir maldição de qualquer espécie.

4. “E verão o seu rosto, e nas suas testas estará o seu nome”.

1. “...verão o seu rosto”. Na era antiga, ninguém podia olhar para Deus e viver (Éx 33. 20). Deus agora é invisível para os mortais, mas isso será alterado na nova era. Assim como Cristo foi mediador do que se pode conhecer de Deus, da sua existência e do caráter, em nosso velho e mortal período, assim também ele terá essa função na Eternidade (cf. 1 Tm 6. 15-16). Assim veremos a Deus “face a face” como Ele é.

1. Hoje, o nome Teodicéia tornou-se sinônimo de Teologia natural, e se aplica ao conjunto do tratado de Deus. É a ciência de Deus pela razão. A Teologia em si mesma difere um pouco da Teodicéia. A Teodicéia é então uma ciência racional; quer dizer que não recorre senão às luzes natural. Difere por isso da Teologia, que toma por primeiros princípios, não os princípios da razão, mas os dados da Revelação. Porém, esse avanço da Teologia Natural e da Revelação a respeito de Deus, não proporcionou o direito do homem contemplar a Deus face a face. Mas no mundo vindouro como Ele é o veremos!

5. “E ali não haverá mais noite, e não necessitarão de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os alumia; e reinarão para todo o sempre”.

1. “...não haverá mais noite”. O tempo se compõe, essencialmente, de três partes: o passado, o presente, o futuro. Só o presente existe: o passado já não é o futuro ainda não é. Isto prova, ainda, que o tempo, tomado na sua totalidade, não existe realmente a não ser no espírito, que, graças à memória, conserva o passado e, pela previsão, antecipa o porvir.

1. Agora, porém, nesta secção, a expressão “... para todo o sempre” é uma tradução do grego (“tous aionas ton aionon”). Essa expressão, que é traduzida por “pelos séculos dos séculos”, aparece exatamente treze vezes no Apocalipse. Ela é usada como segue:

(a) Nove vezes a palavra se refere a Deus, isto é, nove vezes é dito que Deus vive e domina “pelos séculos dos séculos”:

(b) Urna vez ela é utilizada para descrever a existência dos santos no céu:

(e) Uma vez ela é utilizada para descrever a duração do tormento e castigo eterno do diabo no inferno:

(d) Duas vezes a mesma expressão é usada para a duração dos sofrimentos daqueles infelizes perdidos, que têm que suportar eternamente os seus tormentos. Percebemos que a expressão e seu equivalente, quer dizer “para sempre e eternamente!” Essa é portanto, a grande promessa de Deus a todos os habitantes da cidade celestial.

6. “E disse-me: Estas palavras são fiéis e verdadeiras; e o Senhor, o Deus dos santos profetas, enviou o seu anjo, para mostrar aos seus servos as coisas que em breve hão de acontecer”.

1. “...mostrar aos seus servos”. Cremos que este título é aplicado aos santos em qualquer era, passada, atual ou futura. Na Igreja Primitiva, dependendo da região, assim eram denominados os seguidores de Cristo: Discípulos (At 6. 1); Discípulas (At 9. 36f); Irmãos (At 15. 22); Amigos (Jo 15. 15); Eleitos (Cl 3. 12); Santos (1 Co 1. 2); Crentes (Jo 20. 29; 1 Co 1. 21; Gl 3. 9); Cristão (At 11. 26); Servos, aqui, e na Eternidade (Rm 6. 22; Ap 22. 6). O penúltimo apelativo (“cristão”), no sentido religioso significa “seguidor de Cristo”, e no sentido moral: “parecido com Cristo”. Assim sendo, “cristão”, por conseguinte, é a mais elevada designação que um ser humano qualquer pode ter na face da terra; e recebê-lo da parte de Deus; mas no estado eterno a designação de cristão para servo, tem sentido especial; pois ali serviremos a Deus para todo o sempre!

7. “Eis que presto venho: Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro”.

1. “...Eis que presto venho”. Surge neste versículo uma particularidade sui generis do capítulo 22: a intercalação de palavras do próprio Jesus. Essa situação repetir-se-á, também, como veremos nos versículos 13 e 16. A seguir, vem a sexta “Bem-aventurança” do Apocalipse. As cinco anteriores vêm citadas nas seguintes passagens com significações especiais: 1. 3 (para os leitores); 14. 13 (para os mortos salvos); 16. 15 (para os que vigiam); 19. 9 (para aqueles que são chamados à ceia das bodas); 20. 6 (para os mártires ressuscitados por Cristo); 22. 7 (para os que guardam as palavras da profecia); 22. 14 (para os que lavam suas vestiduras no sangue do Cordeiro).

A palavra “profeta” ocorre por 12 vezes neste livro e o vocábulo “profecia”, por 7. Portanto o livro traz o selo da profecia, e a raiz desta se encontra em toda a extensão da Bíblia, O Apocalipse abre-se com uma bênção para “aquele que lê” e se fecha com uma bênção para “aquele que guarda” as palavras da profecia!

8. “E eu, João, sou aquele que vi e ouvi estas coisas. E, havendo-as ouvido e visto, prostrei-me aos pés do anjo que mas mostrava para o adorar”.

1. “...Eu, João, sou aquele que vi e ouvi”. O nome de João, usado cinco vezes, demonstra que João, autor do quarto evangelho e das três epístolas que levam o seu nome também escreveu o Apocalipse, como foi divinamente instruído a fazer. 1. 1, 9; 21. 2; 22. 8. É evidente que a presente passagem apresenta o autor como sendo a mesma pessoa do princípio do livro, dizendo: “Eu, João” (1. 9). O Cristianismo sempre aceitou a João, o filho de Zebedeu, como o autor deste livro: (ver notas expositivas sobre isso em 1. 1 p. 4). Justino Márter (cerca do ano 135 d. C.) e Irineu (cerca do ano 180 d. C. ), citaram verbalmente este livro, atribuindo-o a João, um Apóstolo de Cristo(375).

1. Prostrei-me aos pés do anjo”. É esta a segunda tentativa de João adorar o anjo que lhe trouxe a revelação (19. 10), mas o elevado poder angelical não aceitou e, diz a João num tom de amor, mas com exortação: adora a Deus.

9. “E disse-me: Olha não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus”.

1. “...Adora a Deus. Os anjos são vistos em toda a extensão das Escrituras. São seres superiores aos homens (2 Pd 2. 11), e obviamente inferiores a Cristo em cinco pontos (Hb 1. 4 e ss); contudo, jamais, por hipótese alguma, eles aceitam adoração. Sua santidade, à semelhança da santidade de Deus, não é apenas uma isenção de toda impureza moral, mas antes, o conjunto de todas as excelências morais. Eles são exatamente na era presente aquilo que Deus quer que sejam.

Eles possuem um senso, de apreciação da santidade divina; sentem, por essa santidade, intensa admiração, pois são seres santos. Portanto, o anjo não era digno objeto de adoração, conforme João chegou a supor momentaneamente. Essa rejeição por parte do anjo, foi certamente um golpe mortal, na prática gnóstica da Ásia Menor ao tempo em que João escrevia este livro. Eles adoravam aos anjos, além de outros seres que achavam superiores (cf. Cl 2. 18).

10. “E disse-me: Não seles as palavras da profecia deste livro; porque próximo está o tempo”.

1. “. . .Não seles as palavras”. “Um livro que não é selado está aberto ao exame e benefício de todos. O que foi selado nos dias de Daniel (12. 4) agora é exposto aqui”. Daniel viveu cerca de 600 anos antes da introdução do “...tempo do fim”. Eis a razão por que era necessário a Daniel selar o livro, mas João, no contexto geral, pertencia a uma geração da “...última hora”, e não podia fazer o mesmo. Porque próximo está o tempo. Este versículo 10 além de outras recomendações, parece expressar: não seles as palavras, pois pouco tempo falta; e necessário é que sejam todos avisados: Jesus vem breve! Não nos esqueçamos de que o Apocalipse significa revelação, e é justamente isto que o livro apresenta.

Quanto mais perto nos achegamos dos acontecimentos registrados nele, tanto mais claras as profecias se tornam. Este versículo mostra-nos que nossas vidas, quando* não vividas de acordo com o padrão divino, selam para outros a mensagem das profecias. Porquanto somos o único evangelho que algumas pessoas lêem (Mt 5. 16).

11. “Quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda; e quem* é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda”.

1. “...quem é injusto.., quem é justo”. O versículo em foco, apresenta duas classes de pessoas: maus e bons, O primeiro grupo está seguindo em direção à perdição: no caminho largo citado por Jesus (Mt 7. 13); o segundo grupo está seguindo em direção ao céu: no caminho estreito (Mt 7. 14). O que João diz neste versículo não é (“uma insinuação ao pecado”), mas sim, é uma maneira retórica de dizer: (“O tempo é tão escasso que não se pode mais esperar que os homens queiram mudar, de mal para o bem: Deus exige definição: escolhei hoje a quem sirvais”). O mundo deve ver a diferença “...entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus e o que não serve” pois já é a última hora (Js 24. 15; Ml 3. 18; 1 Jo 2. 18). A decisão ou escolha é inevitável, mas é livre: quem quiser continue na maldade. Quem está em santidade, em santidade fique. Essa é a séria advertência! A parte de Deus está feita: a decisão cabe ao homem. Mas se há alguém nesta negra posição, tenha bom, ânimo! levante-se, Jesus te chama!

12. “E eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra”.

1. “...o meu galardão está comigo”. Temos nesta secção alusão ao “Tribunal de Cristo”. Nos estádios gregos, a assembléia se reunia defronte de uma “plataforma” chamada de (“bêma”) de onde as questões oficiais eram conduzidas. Esse vocábulo “bêma” originalmente significava apenas um “degrau”; desta idéia passou a indicar uma “plataforma elevada”, como aquela usada pelos oradores, pelos juízes das competições esportivas, ou mesmo pelos magistrados, em seus julgamentos formais. Paulo, emprega essa palavra, para denotar o “Tribunal de Cristo”. Essa palavra é empregada por (“11”) vezes no Novo Testamento, e em todas as passagens onde ela aparece, tem sentido especial:

1. (a) O tribunal de Pilatos. Mt 27. 19; (b) O tribunal de Herodes. At 12. 21 (c) O tribunal de Gálio. At 18. 12; (d) O tribunal de César. At 25; (e) O tribunal de Cristo. Rm 14. 10. Em retórica a encontramos nas seguintes passagens (Jo 19. 13; At 18. 16, 17; At 25. 10, 17; 2 Co 5. 10). As citações textuais sobre o “Tribunal de Cristo” são:

(aa) 2 Co 5. 10, onde o que temos “feito por meio do corpo” será manifestado perante os olhos de todos diante do tribunal:

(bb) Rm 14. 10, onde nossas relações com nossos irmãos serão examinadas perante o eterno Salvador:

(cc) 1 Co 3. 10-15, onde nosso serviço a Deus é provado como pelo fogo. Este fogo diz Speaker “durará apenas (“um dia”); é futuro, não presente; é destrutivo, não purificador; destrói apenas doutrinas, não pessoas; causa perda e não lucro; causa apenas a reprovação das obras e não do obreiro”. Ali, portanto, haverá uma “avaliação” do que fizemos e não fizemos; então cada um receberá seu galardão segundo a sua obra.

13. “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro”.

1. “...o Alfa e o Ômega”. Em Ap 1. 8, há notas expositivas sobre estes títulos de Cristo. Essas letras eram usadas na simbologia profética para exprimir totalidade. Um escritor observa que o (“Alfa e o Ômega”) gregos, equivalem ao (“Álefe e Tau”) hebraicos. “Era dito por exemplo, que Adão nosso antigo pai, transgrediu a lei de “álefe a tau”; Abraão nosso pai, pelo contrário, guardou a lei de “álefe a tau”(378). No presente versículo, o sentido é que o Pai, e o Filho são os Senhores de toda a História, seu princípio, seu fim e todo o seu curso. Comparando isso com Hebreus (12. 2). Cristo é o autor e consumador da fé. Portanto, em todas as dimensões e épocas ele é o começo, a causa primária, e também o fim, a causa final, a realização daquilo que fora iniciado e a consumação daquilo que foi continuado. Isso também é dito acerca de Deus Pai, em Ap 1. 8 e 21. 6; assim o Pai e o Filho são iguais em poder e glória.

14. “Bem-aveflturados aqueles que lavam suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas”.

1. “...aqueles que lavam suas vestiduras”. Este versículo encerra a sétima e última “bem-aventurança”. Ela aparece na vida daqueles que (“lavam suas vestiduras no sangue do Cordeiro”). Essa palavra e suas cognatas são usadas cerca de 50 vezes no Novo Testamento, sendo uma das muitas que o uso testamentário expandiu e dignificou quanto ao seu sentido. A raiz original, no grego clássico, parece significar “grande”, e desde cedo foi usada como sinônimo de rico. No sentido religioso, seu valor é mais profundo. Ela declara, portanto, quem são os felizes, aos olhos de Deus.

1. O uso neotestamentário tem seguido a idéia inteira de felicidade espiritual. Assim, as “Bem-aventuranças” apresentam um quadro especial: (a) Humilhação: elevação; (b) Humildade de espírito: posse do reino, no coração ou em sentimento real; (c) Choro: consolo; (d) Mansidão: terra como herança; (e) Fome e sede de justiça: fartura de virtudes divinas; (f) Misericórdia para com os outros: misericórdia de Deus para com ele; (g) Pureza de coração: visão de Deus agora e no futuro; (h) Promoção de paz: paz com Deus por meio de Jesus Cristo; (i) Sofrimento por Jesus: posse do reino eterno; (j) Os perseguidos: os recompensados com o galardão da justiça de Deus.

15. “Ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira”.

1. “...os cães”. Este é o único item novo neste versículo, algo que fora dito antes por João ou o anjo neste livro inteiro. Esse era um termo pejorativo usado pelos judeus, referindo-se aos gentios. De acordo com a lei cerimonial, o cão era um animal imundo, não podendo conseguir uma posição melhor dentro do arraial, ficando assim do lado de fora (Dt 23. 18).

1. Tanto o cão como o porco, são citados por Jesus e Paulo em (Mt 7. 6 e Fl 3. 2), como figuras de maus elementos. Os antigos os consideravam assim: (a) Os hereges: os cães; (b) Os inimigos: os porcos. Santo Agostinho os dividia assim: os perseguidores hostis (cães); os indivíduos imundos, sem sentimento de santidade (porcos).

2. Ama e comete a mentira. “A mentira é intrinsecamente má, e, conseqüentemente, totalmente ilícita. Sua gravidade se mede pela gravidade das consequências que pode ter para o próximo — ou, quaisquer que sejam essas consequências, pela intenção gravemente perniciosa que a tenha ditado”.

16. “Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos testificar estas coisas nas igrejas: eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã”.

1. “...a resplandecente estrela da manhã”. Já encontramos esse título aplicado a Cristo em (2. 28). Na antiguidade, o planeta Vênus era considerado como símbolo da imortalidade, em toda a sua glória. Em 2 Pd 2. 19, essa estrela surgirá em nosso coração, dando a imortalidade e triunfo. Um escritor observa, quando diz: “Cristo é a brilhante Estrela da manhã do dia vindouro da eternidade; por conseguinte, ele também dá a estrela da manhã da visão espiritual do futuro”. A “aurora” era um símbolo messiânico (cf. Jr 23. 5; Zc 3. 8; 6. 12), que denotava o “Renovo”. Conforme a idéia usada neste texto, trata-se de um duplo simbolismo: Jesus tinha um passado humano, mas também tinha um futuro divino. Assim ao mesmo tempo que Jesus é a “estrela da,manhã” também é a “raiz e a geração de Deus”, isto é, o “Renovo” conforme é descrito pelos profetas do Senhor (Is 4. 2; 11. 1; Jr 23. 5; 33. 15; Zc 3. 8; 6. 12, 13).

17. “E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E. quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida”.

I. “...o Espírito e a esposa dizem: Vem”. Após dois mil anos ausente da corte celestial, o Espírito Santo é o primeiro a solicitar o retorno de Cristo para o arrebatamento: Ele diz: Vem! A Igreja segue o mesmo exemplo, dizendo: Vem! E um terceiro grupo: e quem ouve, diz também: Vem!

1. A volta de Jesus é solicitada em virtude de sua tríplice relação: à Igreja, à Israel, às nações:

(a) Para a Igreja, a descida do Senhor nos ares para ressuscitar os que dormem e a transformar os crentes vivos, é apresentada como uma constante expectação e esperança. 1 Co 15. 51-52; Fl 3. 20; 1 Ts 4. 14-17; 1 Tm 4. 14; Tt 2. 13; Ap 22. 20.

(b) Para Israel, a Vinda do Senhor é predicada para cumprir as profecias que dizem respeito ao seu ressurgimento nacional, a sua conversão, e estabelecimento em paz e poder sob o pacto davídico. At 15. 14-17:

(c) No caso das nações, a volta de Cristo é predicada para consumar a destruição do presente sistema político universal. Dn 2. 44-45; Ap 19. 11-21. A volta do Senhor em sua primeira fase, só se destinará à Igreja, e é chamada de “encontro”. No que diz respeito a Israel e às nações, é chamada de sua “manifestação com poder e grande glória”.

18. “Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro”.

1. “...se alguém acrescentar alguma coisa”. O presente versículo tem seu paralelo em Pv 30. 5-6, que diz: “Toda a palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam nele. Nada acrescentes às suas palavras...”. A biblioteca divina é composta de 66 livros. Em nossas edições, há quatro divisões menores que estão assim estabelecidas: (“1. 189 capítulos; 31. 173 versículos; 810 697 palavras e 3.506 480 letras”). Do ponto de vista divino, esse conteúdo é o suficiente para suprir toda e qualquer necessidade humana; assim a partir do (“AMÉM”), contido no versículo 21 do presente capítulo, qualquer “acréscimo” à revelação de Deus é “anátema”. O autor sagrado desta tão grande obra, tinha certeza de que seu livro é inspirado; por conseguinte, precisava ser protegido de mãos criminosas; pelo que responsabiliza mediante autoridade de Deus. De conformidade com Eusébio(381), Irineu adicionou uma maldição assim a um livro que escrevera combatendo os hereges.

Entretanto, a integridade do Apocalipse, sem dúvida alguma, é mais sublime e tem sido sustentada até hoje e continuará na Eternidade.

19. “E, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, e da cidade santa, que estão escritas neste livro”.

1. “...quaisquer palavras do livro desta profecia”. A palavra “livro” ou “livros” ocorre por 28 vezes no Apocalipse. Mas agora, na presente secção, ela termina a sua missão.

1. R. Norman observa, que o versículo anterior apresente o lado “negativo”, isto é, que os prevaricadores do texto sagrado serão severa- mente julgados. O presente versículo, porém, dá o lado “positivo”, isto é, as bênçãos que estes prevaricadores perderão! tudo o que fora mencionado nas secções anteriores do Apocalipse. Certamente os versículos 18 e 19 ilustram a severidade da revelação divina e nossas relações com a mesma.

2. Desde a antiguidade os escribas velavam cuidadosamente sobre o não “acrescentar” ou “diminuir” (“qualquer”) palavra da Escritura. Tão fiéis eram esses escribas em copiar o texto exatamente como acharam, palavra por palavra, letra por letra, que qualquer pessoa pode abrir uma Bíblia Hebraica (original) e verificá-la. Em certos trechos há letras impressas (escritas) invertidas, e a coisa curiosa é que nem escritor nem impressor as corrigiu. Duas coisas contribuíram para esse fim: (a) Os escribas eram fiéis; (b) Deus estava “...velando sobre ela” (Jr 1. 12)!

20. “Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém. Ora vem, Senhor Jesus”.

1. “...Certamente cedo venho”. Há na Bíblia cerca de 2.500 referências sobre a vinda de Jesus para o arrebatamento. 2. 182 são predições proféticas e 318 em termos reais.

Estas 318 vezes são encontradas em 24 livros do Novo Testamento. Apenas três livros dos 27 não contêm as citações textuais, mas em essência: (Filemom, 2 e 3 João).

1. Ora vem, Senhor Jesus. O texto em foco, pode ser também confrontado com 1 Co 1. 22, onde lemos: “Se alguém não ama ao Senhor Jesus Cristo, seja anátema; maranata”. Esta expressão partida do coração de Paulo, é a transliteração do siríaco: “...maran-atha” que quer dizer “...nosso Senhor está vindo”, ou “O Senhor Vem!”. (Cf Fl 4. 5). Ë esta a última oração da Bíblia: “VEM!”. Paulo, antes de pronunciá-la, disse: “...seja anátema”.

Esse uso bem indica, uma interjeição, que significa: “Que seja maldito (sem importar quem ou que coisa), na vinda do Senhor” (cf. 2 Tm 4. 8; Ap 3. 16). Essa palavra grega parece corresponder à “interdição” dos hebreus. Em outras palavras, isso significaria: “Que tal indivíduo seja à interdição, ou seja, consagrado à ira de Deus. Seja como for: “se alguém não ama ao Senhor Jesus Cristo, seja anátema!”

21. “A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós. Amém”.

1. “...A graça de nosso Senhor”. O Antigo Testamento termina sua História com a palavra (“maldição”). Ml 4. 6, o Novo porém, com a (“Graça do Senhor Jesus Cristo”). O Apocalipse, termina já dentro dos limites da Eternidade. O tempo corresponde ao que muda, ao que comporta a sucessão e o vir-a-ser. — A eternidade é uma duração, quer dizer, uma permanência de ser, sem nenhuma sucessão e, daí, sem começo nem fim. Pode-se dizer, em outras palavras, que é um eterno presente, uma posse perfeita e total do ser. A Bíblia começa sua história falando em Deus (Gn 1. 1) e termina falando no homem: mas do homem santo (v. 21). Ao terminar sua missão histórica, a Escritura encerra com “...a Graça”. Não poderia ser usada aqui melhor forma do que esta: “A Graça”. Eis uma gloriosa expressão: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com vós todos. Amém”. Aqui termino! Toda a minha gratidão a Deus! Amém.





Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Livro:- Apocalipse versículo por versículo – Severino Pedro da Silva