Igreja brasileira +20



Na sua obra Faminto por Mais de Jesus (CPAD), David Wilkerson afirmou: “As igrejas estão sendo invadidas pelo adultério, divórcio, rock ‘evangélico’, psicologia antibíblica e ensinamentos da Nova Era. Muitos jovens crentes estão se voltando para as drogas e o sexo ilícito, tentando preencher o vazio de suas almas. Isso acontece porque muito do que se diz em nossos púlpitos, quando muito, serve apenas para nos agradar. Os sermões não são substanciais e nem difíceis de se engolir. Na verdade, são ‘divertidos’. As histórias são bem contadas, as aplicações fáceis e práticas, e nada do que é dito chega a afetar os ouvintes”.

Em 1992, quando a aludida obra foi publicada, mensagens que priorizam o ser humano, como se ele fosse a medida de todas as coisas, e massageiam egos, já faziam sucesso nos Estados Unidos. Por isso, Wilkerson resolveu escrever sobre o assunto e condenar com veemência a pregação antropocêntrica e triunfalista, a qual tomara o lugar da pregação bíblica, que visa ao arrependimento e à vida santa.

Lembro-me de como eram as pregações no Brasil, em 1992. Não havia espaço para o antropocentrismo nem para animação de auditório. Surpreendemente, o que o saudoso irmão Dave escreveu, há 20 anos, para os cristãos norte-americanos, parece ter sido escrito para a igreja brasileira +20: “Ninguém terá problemas ao trazer um cônjuge não-cristão ou um amigo à igreja aos domingos, porque não se sentirão embaraçados. Não entrarão em confronto com o pecado. Nenhuma brasa viva do altar de Deus queimará suas consciências, nenhuma flecha ardente de condenação, vinda do púlpito, os colocará de joelhos. Nenhum dedo profético apontará para seus corações e sentenciará: ‘Você é o homem!’ E se o martelo de Deus vier de encontro ao pecado, a pancada será rapidamente suavizada”.

Wilkerson prossegue: “É espantoso, porém, verdade. O lugar mais conveniente para trazer alívio à consciência que procura se esconder dos olhos inflamados de um Deus santo é o interior de uma igreja morta. Seus pregadores mais parecem carregadores de caixão que apóstolos de vida. Em vez de guiar crentes famintos à vida abundante oferecida por Jesus, fazem promessas agradáveis, tentando apenas acalmar a fome: ‘Tudo está bem. Você fez o que precisava fazer [...]’”.

“Alguns pregadores protestam, alegando que suas igrejas, longe de serem mortas, estão repletas de orações fervorosas e adoração a Deus. Contudo, nem todas as igrejas opulentas e avivadas são necessariamente cheias de vida. A adoração vinda de lábios impuros, na verdade, é abominação a Deus. O louvor que sai de corações cheios de adultério, cobiça ou orgulho, não chega a Deus como aroma suave. Bandeiras cristãs erguidas por mãos pecadoras não passam de ostentações arrogantes e revoltosas”.

Realmente, é isso que temos visto, nos dias atuais. O falso evangelho que muitos líderes e pregadores abraçaram, nos Estados Unidos e no Brasil, os leva a pensar que sempre estão certos pelo fato de declararem que são abençoados e prósperos. Eles se consideram triunfantes, não porque obedecem à Palavra de Deus, e sim porque “decretam” a própria vitória. O seu triunfalismo os impede de triunfar verdadeiramente. E a sua soberba os distancia do Deus excelso (Sl 138.6).

O que podemos esperar da igreja brasileira +5, +10 e +20? Como será a sua pregação daqui a mais cinco, dez ou vinte anos? Que tipo de culto minha filha (foto) frequentará? A iniquidade se multiplica, e o amor de muitos esfria, como previu o nosso Senhor (Mt 24.12). E isso faz com que sejamos pessimistas quanto ao futuro. Mas não nos esqueçamos de que a Igreja de Cristo, formada pelos crentes fiéis, que andam como Jesus andou (1 Jo 2.6), continua a sua marcha triunfal, nEle (2 Co 2.14).




Ciro Sanches Zibordi